quarta-feira, 23 de março de 2011

MESA 10! ENTREVISTA–CICLO1-FASE 2-BLOCO 4

Colaboraram como voluntários, com este ciclo/fase/bloco da entrevista:
Charles Donald Zink: economista entrevistador, estruturador e articulista dos debates;
Cleiton Henschel: advogado revisor e assessoria jurídica;
Duílio Gehrke: Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012, entrevistado;
Giovana Pizzaria – Bar e Restaurante: logística, patrocinador e promotor da recepção aos entrevistados;
Jornal Gazeta Vale das Cachoeiras: diagramação, publicação e logística de distribuição;
Nilson Francisco Stainsack: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012, entrevistado;
Observação: As opiniões expressas neste artigo/entrevista representam a transcrição fiel e integral dos depoimentos formais dos entrevistados, entregues por seus autores e são de sua inteira responsabilidade.

Bloco 4 - Ética e Legado

5) Ética e legado
.

a) A ética é um valor da humanidade que permeia e personifica um conjunto de atividades desenvolvidas pelo homem e que se revela em diferentes práticas adotadas pelas pessoas na consecução de suas atividades laborais e de convivência em sociedade.
Contrapondo-se a esse pensamento, o dito popular “aos amigos, os benefícios da Lei; aos inimigos, os rigores da Lei!”, reflete uma prática antiética muito percebida na administração pública brasileira, revelando ausência de isonomia e equidade de tratamentos.
Ponderadas as duas assertivas, pergunta-se:

1) Considerando a sua experiência e vida pública, o que você considera “a ética para a administração pública municipal”?

RESPOSTAS:


Duílio Gehrke – Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012: O Comportamento padrão da administração pública deve ser ético, ou seja, o rigor da lei não está para os inimigos, nem os benefícios dela aos amigos, mas sim temos que ter como fundamento que todos são iguais perante a Lei. Quando falamos sobre ética pública, logo pensamos em corrupção, extorsão e ineficiência, mas na realidade o que devemos ter como ponto de referência em relação ao serviço público, ou na vida pública em geral, é que seja fixado um padrão ético a partir do qual seja possível julgar a atuação dos servidores públicos ou daqueles que estiverem envolvidos na vida pública.



Nilson Francisco Stainsack – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012: A Administração Municipal deve ser igualitária, isto é para todos, indistintamente.

2) Como você avalia a questão da “solução de continuidade” para iniciativas de governos anteriores?

RESPOSTAS:


Duílio Gehrke: Obras e ações quando devidamente planejadas e que contemplem o anseio da população dificilmente vão ter problemas com interrupções, haja vista que a sucessão de um governo não extinguirá este anseio e esta necessidade. No caso de iniciativas mal planejadas ou que não estejam atendendo a contento o anseio da população, estas são merecedoras de ajustes, modificações, substituições ao até mesmo de extinção, tendo como foco a qualidade do serviço/obra pública oferecido a população.

Nilson Francisco Stainsack: Ao assumir o governo, deixamos muito claro para toda a equipe, o que é bom para o povo deve ter continuidade, aquilo que não é bom para o povo ou se melhora e se adéqua para que se torne bom ou se elimina. È nisso que acredito e penso que é assim que se promove o crescimento e o desenvolvimento de um município.


b) Murillo de Aragão, mestre em Ciência Política e Doutor em Sociologia, em artigo publicado na revista Conjuntura Econômica sob o título “As sete pragas da política nacional” (março 2010,vol.64, nr.03, FGV), aborda um conjunto de situações que “assolam a política nacional [...] estão democraticamente espalhadas no Brasil [...] e, infelizmente, retiram do país recursos e energia para se desenvolver de forma mais justa”. Essas pragas podem ser resumidamente enunciadas como: “1) a desinformação dos, e produzida pelos meios de comunicação; 2) o corporativismo como reflexo da relação entre a sociedade e o governo local, com agendas que, nem sempre, privilegiam o interesse público; 3) a opacidade na relação do governo com seus fornecedores; 4) o desinteresse de boa parcela da sociedade em relação a administração pública local; 5) o clientelismo que distribui benefícios da estrutura pública; 6) a ausência de debate ideológico em razão da natural orientação pela busca do poder; 7) o desequilíbrio institucional, pela predominância do Poder Executivo sobre os demais poderes, em detrimento do interesse da sociedade e do fortalecimento da democracia”.
Considerando essa abordagem, pergunta-se:


1) Na sua avaliação, que impactos esse conjunto de “pragas” provocam sobre a sociedade e a economia local?

RESPOSTAS:

Duílio Gehrke: Todas as pragas acima citadas são responsáveis pela estagnação do crescimento sócio-econômico e pela melhoria da qualidade de vida de nossa população, basta apenas uma delas para já deflagar um processo de retração no desenvolvimento geral da nação, estado ou município, desinformação, desinteresse público da sociedade, clientelismo entre outras pragas são fatores preponderantes para um caminho árduo na busca do desenvolvimento.

Nilson Francisco Stainsack: O exercício do Poder, qualquer que seja esse Poder deve ser em benefício sempre do bem estar, do crescimento e desenvolvimento, da transformação da sociedade cada vez mais em uma sociedade mais fraterna, mais humana, com mais calor humano cujo objetivo maior é a promoção do ser humano.O conjunto de pragas aludido contraria tudo isso, quando o administrador público coloca o Poder a seu serviço, em seu benefício e dos seus, tira de todos os outros membros da sociedade a possibilidade de avançar na melhoria da sua qualidade de vida.

c) “Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo; vista pelos velhos, um passado muito breve”.(Schopenhauer). Essa expressão simboliza de forma muito específica, que as perspectivas para a vida e, conseqüentemente, para os valores que ela representa, contêm diferentes expectativas para diferentes parcelas da sociedade. Essa questão encerra um delicado sofisma de composição que se sobrepõe às ações desenvolvidas no município, posto que, do ponto de vista da equidade, toda população deve ser contemplada pelas ações da administração pública.

Por sua vez, o legado de uma administração pública pode ser traduzido por um conjunto de valores sociais indeléveis, adotados e praticados na consecução da gestão pública municipal.

Ponderados os aspectos acima elencados, pergunta-se:

1) Na sua opinião, qual deve ser o legado do gestor público?

RESPOSTAS:


Duílio Gehrke: O maior legado do gestor público é o de deixar um mundo em melhores condições de qualidade de vida comparativamente àquele que encontrou no momento que assumiu esta responsabilidade.

Nilson Francisco Stainsack: Trabalho, honestidade, fraternidade e liberdade e os anseios da população de sua cidade atendidos.

domingo, 13 de março de 2011

CICLO1-FASE2-BLOCO3-PODER EXECUTIVO

Colaboraram como voluntários, com este ciclo/fase/bloco da entrevista:
Charles Donald Zink: economista entrevistador, estruturador e articulista dos debates;
Cleiton Henschel: advogado revisor e assessoria jurídica;
Aroldo Schünke: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestões 1983-1988/1993-1996; Vice-Prefeito - Gestão 2005-2008, entrevistado;
Duílio Gehrke: Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012, entrevistado;
Giovana Pizzaria – Bar e Restaurante: logística, patrocinador e promotor da recepção aos entrevistados;
Jornal Gazeta Vale das Cachoeiras: diagramação, publicação e logística de distribuição;
Nilson Francisco Stainsack: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012, entrevistado;

Observação: As opiniões expressas neste artigo/entrevista representam a transcrição fiel e integral dos depoimentos formais dos entrevistados, entregues por seus autores e são de sua inteira responsabilidade.

Bloco 3 - Sustentabilidade econômica e integração econômica

CONTEXTO GERAL: Muitos economistas e correntes do pensamento econômico atribuem ao Estado o papel de indutor do crescimento e desenvolvimento econômicos, através de uma postura mais ativa na promoção do desenvolvimento e na distribuição da renda. Após a crise de 1929, com Keynes, em face da recente crise econômica (2008) deflagrada pelo setor financeiro americano, esse pensamento vem sendo novamente adotado pelas mais expressivas economias do planeta, economias essas que, em tempos muito recentes, por recomendação da ordem econômica mundial apregoada pelo FMI, exortavam exatamente o não “intervencionismo” do Estado na economia.
No Brasil, as injunções sobre o papel do Estado decorrentes desse pensamento podem trazer riscos à estabilidade econômica, a estrutura de governo e sua produtividade.
De um lado, considera-se que, no que se refere a composição do gasto público: privilegiar o custeio em detrimento dos investimentos é um freio ao crescimento sustentado. De outro, há quem considere que: dizer que despesa de custeio é ruim é gastança, e que investimento é bom, revela ignorância em matéria de setor público. Ponderadas teses tão controversas, suas implicações sobre o sócio-desenvolvimento regional colocam questões que ensejam escolhas bem articuladas em face de seus reflexos sobre os diferentes setores e atores da economia local.

4) Sustentabilidade econômica e integração econômica

a) Do ponto de vista das externalidades, observam-se custos sociais para o crescimento e custos sociais para o desenvolvimento da economia local. Pergunta-se:

1) Na sua visão, qual efeito sobre a economia municipal é mais desejável, crescimento ou desenvolvimento? Justifique.


RESPOSTAS:

Aroldo Schünke – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestões 1983-1988/1993-1996; Vice-Prefeito - Gestão 2005-2008: Desejável é o crescimento com desenvolvimento. Não vislumbro salutar crescimento dissociado de desenvolvimento, pois há necessidade de uma complementação entre os dois. Desenvolver enseja crescimento, mas crescer sem desenvolver nos parece sem sustentação. Um exemplo: crescimento populacional sem desenvolvimento sócio-econômico e social provocará um desequilíbrio estrutural. Em contrapartida, um desenvolvimento, ainda mais se planejado, provocará crescimento sob os mais diversos enfoques.

Duílio Gehrke – Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012: O Desenvolvimento deve ser priorizado. O grande desafio de nossa sociedade é formular políticas que permitam, além do crescimento da economia, a distribuição mais eqüitativa da renda. Não podemos focar o crescimento como única forma de nos desenvolvermos, muitas vezes o crescimento pode conter em seu bojo sintomas de anomia social. Indicadores como o PIB que julgamos ser o principal fator de crescimento muitas vezes tem seu incremento baseado em segmentos que se desenvolvem a partir do lado negativo do crescimento exemplo é a indústria de proteção e segurança que nos últimos anos tem sido umas das mais prósperas em nosso País e que tem contribuído em muito no aumento do PIB.

Nilson Francisco Stainsack – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012: Não vejo como dissociar crescimento de desenvolvimento, ambos se complementam.

2) Na sua visão, de que forma a responsabilidade socioambiental contribui para, e contribui com a gestão municipal e as políticas públicas?

RESPOSTAS:

Duílio Gehrke:
Grande parte do setor produtivo nos últimos anos frente a necessidade de evoluir, de aprimorar, de alcançar maiores e melhores resultados, passou a exercer um papel socialmente responsável realizando algumas ações voltadas a comunidade e ao meio ambiente, estas ações passaram a ter grande importância para as empresas a medida que a sociedade voltou suas atenções para questões como oportunidades iguais, controle de poluição, conservação de recursos naturais, de energia, medidas de proteção ao consumidor e ao trabalhador. Desta forma as políticas públicas voltados a questões desta natureza tem na iniciativa privada um grande colaborador que com suas ações fortalecem os trabalhos desenvolvidos na gestão pública como o trabalho da coleta seletiva de lixo, recuperação de áreas degradadas, entre outras tantas atividades que passam a ser melhor compreendidas e aceitas pela sociedade e esta passa a exercer um papel de suma importância na continuidade deste processo exigindo e obtendo cada vez mais a participação efetiva do poder público em políticas que priorizem o social e o ambiental, proporcionando qualidade de vida a sociedade.


Nilson Francisco Stainsack: A partir do momento que a Administração Pública promove suas ações tendo o respeito para com o meio ambiente, ela estará automaticamente promovendo o desenvolvimento socioambiental e se credencia para cobrar dos seus munícipes comportamento indêntico.

b) A preocupação com a integração econômica de municípios circunvizinhos e sua sustentabilidade, têm se mostrado como soluções para a ampliação de mercados e amplificação dos potenciais socioeconômicos e culturais regionais. Considerando esse cenário, pergunta-se:

1) Na sua opinião, como viabilizar a integração dos municípios do Vale Norte do Itajaí, num cenário de crescimento e de desenvolvimento econômicos, com políticas públicas?


RESPOSTAS:

Duílio Gehrke: Aqui temos uma situação praticamente isolada de todo o restante de nosso estado pois temos uma grande região que está totalmente direcionada a BR-470 (nos assemelhamos a um beco) e o primeiro passo para darmos início a um processo de desenvolvimento a nossa região é possibilitarmos um elo de ligação entre a BR-116 com a BR-470, esta ligação asfáltica além de possibilitar o desenvolvimento de nossa região teria forte contribuição com a diminuição do tráfego da BR-470, a partir daí poderão ser desenvolvidas políticas públicas de integração com maior amplitude e com resultados positivos de curto e médio prazo.

Nilson Francisco Stainsack: Primeiramente nós os Prefeitos e Dirigentes Políticos de cada município temos que ter essa vontade e a partir de então promover as ações conjuntamente.

2) Na sua percepção, quais sinergias poderiam ser identificadas, buscadas e transformadas em ganhos para a economia e a população da região do Vale Norte do Itajaí?

RESPOSTAS:

Duílio Gehrke: Devemos buscar o envolvimento das mais diversas entidades, principalmente Associação Comercial e Industrial, a 14ª Secretaria de Desenvolvimento regional, UDESC, para em conjunto identificarmos possibilidades de desenvolvimento de ações que possam auxiliar no processo de transformação econômico-social do município e região, atuando principalmente na formação e aperfeiçoamento da qualidade da mão obra existente na região.

Nilson Francisco Stainsack: Para o Vale Norte cabe fazer um estudo de forma conjunta (Municípios) para que as ações a ser implementadas correspondam de fato ás necessidades da nossa região. Creio que o desenvolvimento da vocação turística regional deva ser senão a primeira, mas uma das primeiras a ser implementada.

3) Como o 3º. Setor poderia colaborar com a sustentabilidade econômica e a integração econômica da região?

RESPOSTAS:


Duílio Gehrke: Como colocamos acima o envolvimento das mais diversas entidades na discussão das ações promovidas pelo poder público e da iniciativa privada pode ter contribuição extremamente significativa para a consolidação de ações que possam produzir a sustentabilidade e integração econômica de nossa região.

Nilson Francisco Stainsack: Promover ações que integrem os municípios.

4) Na sua opinião, os programas sociais deveriam ser transformados em Leis? Por quê?

RESPOSTAS:

Duílio Gehrke:
Sim. Para que pudessem se tornar efetivos em sua aplicação permitindo que os investimentos possam ser realizados sem o temor de que no futuro União e Estado resolvam priorizar outras ações e por estarem estes serviços já assimilados pela população ter que passar o município a ter que dar continuidade a estes programas sem o devido comprometimento da união e Estado e a cobrança e os resultados são sentidos aqui no município.

Nilson Francisco Stainsack: Sim, para que as mesmas tenham continuidade.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CICLO1-FASE2-BLOCO2-PODER EXECUTIVO

Colaboraram como voluntários, com este ciclo/fase/bloco da entrevista:

Charles Donald Zink: economista entrevistador, estruturador e articulista dos debates;
Cleiton Henschel: advogado revisor e assessoria jurídica;
Aroldo Schünke: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestões 1983-1988/1993-1996; Vice-Prefeito - Gestão 2005-2008, entrevistado;
Duílio Gehrke: Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012, entrevistado;
Giovana Pizzaria – Bar e Restaurante: logística, patrocinador e promotor da recepção aos entrevistados;
Jornal Gazeta Vale das Cachoeiras: diagramação, publicação e logística de distribuição;
Nilson Francisco Stainsack: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012, entrevistado;

Observação: As opiniões expressas neste artigo/entrevista representam a transcrição fiel e integral dos depoimentos formais dos entrevistados, entregues por seus autores e são de sua inteira responsabilidade.

Bloco 2 - O PPA, LDO, LOA e sua conexão com as Políticas Públicas

CONTEXTO GERAL: Os textos a seguir orientam a abordagem sobre as temáticas PPA, LDO e LOA.

ORÇAMENTO: “A análise da flexibilidade alocativa dos recursos orçamentários é de grande importância para se avaliar a capacidade do poder público de intervir na economia. Tal flexibilidade, no orçamento do Governo Federal, é afetada por dois tipos de restrições: pelo excessivo grau de vinculação de receitas e pelo elevado nível de despesas constitucional e legalmente obrigatórias. A primeira restrição refere-se ao grande volume de receitas vinculadas que provoca rigidez orçamentária na medida em que estas não podem ser utilizadas para financiar despesas diferentes daquelas para as quais foram criadas. As despesas financiadas por essas receitas podem ser tanto de execução obrigatória no exercício da arrecadação quanto de execução não obrigatória nesse período. Neste último caso, os recursos arrecadados ficam em uma reserva alocada no órgão cujas receitas são vinculadas, não sendo usadas para qualquer outra finalidade diferente daquela que motivou a sua criação. A segunda restrição diz respeito ao crescimento contínuo das despesas de execução constitucional e/ou legalmente obrigatórias, o que prejudica sobremaneira a flexibilidade da política fiscal. Verifica-se que as despesas com pessoal e encargos sociais, previdência social, assistência social, educação e saúde cresceram significativamente entre 1995 e 2002. Essas restrições reduzem a flexibilidade alocativa da política fiscal para atender outras demandas da sociedade.” (VINCULAÇÕES DE RECEITAS DOS ORÇAMENTOS FISCAL E DA SEGURIDADE SOCIAL E O PODER DISCRICIONÁRIO DE ALOCAÇÃO DOS RECURSOS DO GOVERNO FEDERAL – MPOG - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – Brasília-DF 2003).

PLANO PLURIANUAL - PPA : “A finalidade do PPA, em termos orçamentários, é a de estabelecer objetivos e metas que comprometam o Poder Executivo e o Poder Legislativo a dar continuidade aos programas na distribuição dos recursos. O PPA precisa ser aprovado pelo Congresso até o final do primeiro ano do mandato do presidente eleito. O controle e a fiscalização da execução do PPA são realizados pelo sistema de controle interno do Poder Executivo e pelo Tribunal de Contas da União. O acompanhamento e a avaliação são feitos pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) prioriza as metas do PPA e orienta a elaboração do Orçamento Geral da União, que terá validade para o ano seguinte. O projeto da LDO é elaborado pelo Poder Executivo, sob a direção do MPO e a coordenação da Secretaria de Orçamento Federal (SOF), e precisa ser encaminhado ao Congresso até o dia 15 de abril de cada ano. O projeto da LDO tem como base o PPA e deve ser apreciado pelo Congresso Nacional até 30 de junho de cada exercício. Depois de aprovado, o projeto é sancionado pelo Presidente da República”. (Manual do orçamento público)

LEI DE RESPOSABILIDADE FISCAL – LRF : “Com a LC 101/2002, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, a LDO passou a ter outras diretrizes conforme segue:
Da Lei de Diretrizes Orçamentárias
Art. 4o A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2o do art. 165 da Constituição e:
I - disporá também sobre:
a) equilíbrio entre receitas e despesas;
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9o e no inciso II do § 1o do art. 31;
[...]
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos;
f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas;
§ 1o Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes.
§ 2o O Anexo conterá, ainda:
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional;
III - evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos;
IV - avaliação da situação financeira e atuarial:
a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador;
b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial;
V - demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.
§ 3o A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem.
§ 4o A mensagem que encaminhar o projeto da União apresentará, em anexo específico, os objetivos das políticas monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as projeções para seus principais agregados e variáveis, e ainda as metas de inflação, para o exercício subseqüente.

LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO : Com base na LDO, a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte, com a participação dos Ministérios (órgãos setoriais) e as unidades orçamentárias dos Poderes Legislativo e Judiciário. Por determinação constitucional, o governo é obrigado a encaminhar o projeto de lei do orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. Acompanha a proposta uma mensagem do Presidente da República, na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas, observando os seguintes procedimentos:
1ª Etapa:Entre os meses de janeiro e maio, na Secretaria de Orçamento Federal - SOF, é desenvolvida a análise da série histórica da execução dos últimos exercícios, para definição dos limites de gastos por unidade orçamentária da União.
2ª Etapa: No mês de junho, os órgãos setoriais apresentam uma proposição detalhada relativa às suas programações em:
Atividades - envolvendo o montante de recursos necessários para assegurar a manutenção da execução das ações atualmente desenvolvidas para a prestação de serviços à comunidade;
Despesas Obrigatórias - relativas a despesas com pessoal, serviço da dívida, benefícios previdenciários.
3ª Etapa: Com a estimativa da Receita a ser arrecadada e o montante de gastos projetados para o exercício na 2a Etapa, define um limite adicional e o remete aos órgãos para complementar a sua programação orçamentária, compreendendo:
Expansão de atividades - os valores necessários para expansão dos serviços;
Projetos - gastos requeridos para aumento da capacidade física de atendimento ou inserção de uma ação nova nas atribuições dos órgãos.
4ª Etapa: Formaliza o documento final elaborando todos os demonstrativos exigidos pela Lei Federal 4.320/64 e pela Lei de Diretrizes Orçamentárias.

LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LOA : No Congresso, deputados e senadores discutem a proposta que o Executivo preparou, fazem as mudanças que consideram necessárias e votam o projeto. Até a Constituição de 1988, o Congresso apenas homologava o orçamento tal qual ele vinha do Executivo. A partir de 1988, deputados e senadores adquiriram o direito de emendar o orçamento, o que significa que os parlamentares podem propor alterações em programas e projetos apresentados pelo Poder Executivo, desde que sejam compatíveis com o Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. A Constituição determina que o Congresso deva votar o Orçamento até o encerramento da sessão legislativa de cada ano. Depois da aprovação pelo Legislativo, o projeto é enviado ao Presidente da República para ser sancionado. Após a sanção, transforma-se em lei.
Utilizando o Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR), a Secretaria de Orçamento Federal acompanha e avalia a execução orçamentária, procedendo a alterações, através de créditos adicionais, quando necessário. A Secretaria do Tesouro Nacional registra no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) a execução orçamentária realizada pelos órgãos da administração pública”. (Manual do orçamento público)

POLÍTICAS PÚBLICAS : “Os programas de gestão de políticas públicas assumirão denominação específica de acordo com a missão institucional de cada órgão. Portanto, haverá apenas um programa dessa natureza por órgão. Exemplo: "Gestão da Política de Saúde". Seus atributos básicos são: denominação, objetivo, órgão(s), unidades orçamentárias e unidade responsável pelo programa. Na Presidência da República e nos Ministérios que constituam órgãos centrais de sistemas (Orçamento e Gestão, Fazenda), poderá haver mais de um programa desse tipo. Os Programas de Gestão de Políticas Públicas abrangem as ações de gestão de Governo e serão compostos de atividades de planejamento, orçamento, controle interno, sistemas de informação e diagnóstico de suporte à formulação, coordenação, supervisão, avaliação e divulgação de políticas públicas. As atividades deverão assumir as peculiaridades de cada órgão gestor setorial”. (Manual do orçamento público)

3) O PPA, LDO, LOA e sua conexão com as Políticas Públicas;

a) De modo geral, as propostas de campanha do chefe do executivo orientam e permeiam os programas de governo na gestão municipal e estes, por sua vez, acabam convalidados, em termos orçamentários, em objetivos e metas que comprometem o Poder Executivo e o Poder Legislativo a dar continuidade aos programas e na distribuição dos recursos ao longo do exercício do mandato público. Pergunta-se:

1) Em seu julgamento, qual é o maior desafio encontrado na administração pública municipal nesse contexto?

RESPOSTAS:


Aroldo Schünke – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestões 1983-1988/1993-1996; Vice-Prefeito - Gestão 2005-2008: O maior desafio está no administrador público ter efetiva visão de futuro, elegendo as prioridades projetadas para um futuro distante, eliminando hoje os problemas que a cidade ou o município enfrentará, indubitavelmente, daqui a 10, 20, 50, 100 ou 200 anos. O administrador público passa, mas a cidade permanece, crescerá e exigirá estrutura adequada no futuro, para comportar ou suportar, por exemplo, uma população muito maior, um trânsito congestionado, o escoamento das águas e o tratamento do esgoto, e assim por diante. O que dizer de uma cidade que ainda pode estabelecer um fluxo de trânsito adequado, com possibilidade de reserva de espaços para abertura de vias públicas, mas nada é feito. Assim, julgo que devem ser criados estímulos para que a administração pública enfrente este desafio, mas isso exige tomada de posições antipáticas sob a ótica política, e com isso, deixa de desafiar a inteligência futurista. O desafio está em fazer acontecer hoje o que será desafio maior para o administrador público no futuro. O desafio é resolver o problema de hoje e vislumbrar a solução do amanhã por meio do estabelecimento de uma estrutura projetada. Poucos administradores, entretanto, se sujeitam em fazer o que realmente deve ser feito porque alguém poderá se sentir prejudicado. E, por conseqüência, o que deveria ser feito deixa de ser feito.
Diante desse diapasão, há efetivamente uma desconexão, também, quanto ao PPA, LDO e LOA, pois o PPA, no primeiro ano de governo ainda é pertinente ao elaborado no primeiro ano da gestão anterior, e que deve ter continuidade na gestão seguinte. O novo governo faz seu PPA e entra novamente no primeiro ano do governo seguinte, traçando-se um elo, um entrelaçamento, que por sua vez tem, o objetivo de dar prosseguimento à um plano de obras, de desenvolvimento, de programas, etc.. Por outro lado, o gestor deve ter ânimo para estabelecer essa sequência.

Duílio Gehrke – Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012: O maior desafio da administração pública neste contexto é conseguir conciliar que suas propostas de campanha e inseridas nos temas orçamentários também estejam previstas nos programas estaduais e federais facilitando a busca dos recursos públicos que permitam a execução e ampliação das ações propostas, pois nem sempre os programas elencados nas prioridades da união ou Estado estão diretamente ligados as propostas municipais, muitas vezes direcionando o município a obtenção destes recursos, dificultando um pouco a realização muitas vezes do programado inicialmente.



Nilson Francisco Stainsack – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012: No primeiro ano de mandato não há muito o que fazer já que o gestor recebe uma proposta elaborada pelo seu antecessor. O desafio nesse instante passa a ser administrar o governo de acordo com o contexto inserido no orçamento otimizando de forma acentuada os custos dos serviços prestados à comunidade. Já a partir da elaboração do PPA, que acontece no primeiro ano do mandato, a estratégia passa pela necessidade de buscar atender a demanda de serviços públicos, numa situação em que, praticamente 96% (noventa e seis por cento) da Receita Corrente Líquida do Município está comprometida com as Despesas Correntes. O desafio maior em todo esse contexto passa pelo Planejamento Estratégico do gestor no sentido de atender os Programas de Governo com a escassez de recursos.

2) Como essas propostas se vinculam com o anseio popular?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke: O anseio popular, em primeira instância, sempre é personalíssimo. Quando algo é feito, o cidadão, primeiramente, pensa onde ele se localiza nesse contexto, analisando se será beneficiado ou prejudicado. Emerge sempre o espírito da vantagem. Não sendo atingido, num primeiro momento, a tendência é não se manifestar.

Duílio Gehrke: Estas propostas se vinculam com o anseio popular considerando que os planos de governo apresentados durante a campanha eleitoral geralmente são produzidos com a participação de lideranças, entidades e da própria sociedade.

Nilson Francisco Stainsack: Para que as propostas contidas no plano orçamentário atendam as expectativas dos munícipes é necessário, além de um estudo da situação social local, uma pesquisa de opinião pública objetivando as principais reivindicações da comunidade. Para tanto, também é de suma importância, a conscientização quanto as dificuldades em administrar a coisa pública, onde a demanda é sempre superior a oferta.

3) No seu entendimento, quais são os indicadores de eficiência, eficácia e efetividade que melhor representam a ação municipal na busca pelos objetivos e metas dos programas de governo?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke: Particularmente, estou convencido que programa de governo deve se fundar em interesse do estado, para beneficiar a comunidade em geral. Os programas de governo, constantemente, nada tem de haver com os interesses da comunidade em geral, ou crescimento integrado do município voltado ao desenvolvimento sustentado. É visível que muitos administradores querem simplesmente fazer obras e aparecer na mídia, como forma de se consagrarem, serem populares. No tangente à eficácia, eficiência e efetividade das ações e indicadores de bem sucedida busca de sucesso nos objetivos, metas e programas de governo, estes se concentram na realização do que representa a solução do exigido sob a égide de uma administração por objetivos fundados na evolução e crescimento da comunidade, enxergando as reais necessidades no futuro, notadamente quanto a estrutura e infra-estrutura urbana, relevando as identidades e os aspectos pertinentes à organização e exploração dos seus potenciais. Se o gestor público conseguir implementar essas ações com eficácia, aliado a uma elevada dose de educação do povo, serão minimizados os dissabores comunitários e sociais do futuro.

Duílio Gehrke: Eficiência: Quando conseguimos com os poucos recursos que dispõem os municípios, crescer e nos consolidarmos como um município que oferece qualidade de vida a nossa população, estamos sendo eficientes.
Eficaz: Estamos sendo eficazes quando atingimos as metas e objetivos programados, quando constatamos que estamos ampliando e melhorando os serviços prestados a população, principalmente quando conseguimos atingir estes objetivos com a otimização dos recursos públicos.
Efetivos: Um indicador da efetividade na ação municipal é quando percebemos na população a grande melhoria na qualidade de vida, quando disponibilizamos condições de ensino de qualidade, transporte escolar gratuito a todos os níveis, promovendo o aperfeiçoamento e a qualidade de nossa mão de obra, quando percebemos que muitas destas ações que aqui realizamos em muitos municípios que possuem renda idêntica ou até maior estes serviços ou ações não são disponibilizados, desta forma estamos sendo efetivos naquilo que desenvolvemos.

Nilson Francisco Stainsack: Não há indicador melhor que a satisfação do munícipe.


b) Com a edição da Lei Complementar 101/2000 que, em si, já se constitui numa política pública, a LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal em 2010 completou 10 anos. Apresenta-se como ferramenta de controle público do processo orçamentário e sua execução, promoção da cidadania fiscal e financeira, regulando a formatação e procedimentos que devem ser observados pelos diferentes entes da Federação brasileira. Pergunta-se:

1) No seu entendimento, de que forma é possível conjugar o anseio popular e o processo orçamentário, sem descurar da LRF?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke: O anseio popular e o processo orçamentário sempre devem se coadunar. É exigência dos mais elementares princípios do controle da administração pública. Não pode ser cogitado o abandono das obrigações impostas pela LRF, mesmo porque ela apenas impõe obediência à princípios e normatizações, o que não impede, mas exige, obediência salutar a um orçamentário elaborado com seriedade, onde o anseio popular representou inspiração, mas onde a visão de futuro e as necessidades mais prementes mereceram a devida atenção, com critérios e planejamento. Defendo que a administração por objetivos deve se impor. O que ocorre comumente é que o orçamento é apenas uma peça, feita de forma muito abstrata, e nos primeiros meses do ano chovem anulações e suplementações, o que caracteriza que o orçamento realmente não é levado tão a sério quando da sua elaboração. Todos sabemos que a LRF recebe interpretações variadas, e nem sempre responsabiliza o gestor público a teor de seu enunciado. Pessoalmente não vejo qualquer problema ou dissociação entre anseio popular e processo orçamentário, quando o orçamento foi elaborado com base em programas, metas e objetivos. A única exceção que deve ser aceita é a ocorrência de fatores supervenientes de força maior, caso específico de catástrofes ou situações de calamidade.

Duílio Gehrke: Novamente podemos ver de que somente uma gestão eficiente e eficaz é capaz de poder atender aos anseios da população sem que sejam feridos princípios estatuídos na LRF. A otimização dos recursos e o exercício profissional dos serviços públicos são fundamentais para a obtenção dos recursos e para o atendimento dos pleitos da sociedade.

Nilson Francisco Stainsack: Penso que não há essa relação de haver algum prejuízo no cumprimento do anseio popular, processo orçamentário e LRF, já que o principal objetivo da referida lei é buscar o equilíbrio entre receitas e despesas, o que não interfere na criação de programas que atendam a demanda popular e sim na sua fiel execução.

2) Na sua visão, como a leniência na execução orçamentária municipal pode provocar resiliência na condução da administração da vida pública municipal?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke: A formulação pode sugerir várias conclusões. Primeiramente, lenir sempre provoca abrandamento, ausência de impulsividade, condescendência, aceitação do vagar e da inércia e da possível desobediência ao inicialmente previsto, com aceitação das variantes aceitáveis ou justificáveis na Execução Orçamentária. Infelizmente, isso é perfeitamente administrável na técnica orçamentária e na celebração da contabilidade pública. Por conseqüência, teremos uma inevitável desobediência ao cumprimento do orçamento, revogando-se, na prática e não legalmente, ao inicialmente objetivado, resilindo as metas e os objetivos. Implicitamente, um convite à estagnação, além de desvirtuar totalmente o inicialmente previsto no orçamento. Um exemplo, e qualquer semelhança é apenas coincidência, nada de descoberta: Uma administração realiza despesas num final de ano, não tem mais orçamento ou dotações para o devido empenhamento, e posterga o encargo orçamentário para o ano seguinte. A leniência foi praticada, de forma consciente, e o orçamento do ano seguinte, desmedidamente, foi afetado, sobrecarregado com despesas que sequer são do seu exercício. Pecado do gestor público. Prejuízo do administrado.

Duílio Gehrke: Quando nos deparamos com a dificuldade em alcançarmos os recursos necessários a completa realização das ações previstas na execução orçamentária do município, tal situação praticamente direciona os gestores públicos a buscarem fôrmas alternativas que possam permitir a superação dos desafios propostos, muitas vezes estes desafios são superados com o desenvolvimento de parcerias envolvendo a sociedade e o poder público.

Nilson Francisco Stainsack: Durante o percurso há que se fazer escolhas, quando se caminha só, a escolha é individual e a implicação do erro ou do acerto recai sobre aquele(a) que a fez. Se a caminhada é coletiva, como no caso da população de uma cidade, ao eleger seus representantes a maioria faz a escolha. Nem sempre a escolha é acertada porque o representante escolhido não responde aos anseios da população que o escolheu. Isso causa nessa mesma população decepção, revolta e frustração e na próxima oportunidade esse representante é substituído por outro, que recebe a missão de atender os anseios que se encontram reprimidos. Nesse momento o administrador público deve ter presente a serenidade, a doçura, a hombridade e a clareza para que a execução orçamentária que é algo frio, técnico mas legal, seja colocada a serviço da população de forma que a demanda reprimida: decepção, revolta e frustração se transforme em energia positiva, como a alegria, a felicidade e a satisfação de ter e ver os anseios populares atendidos.


c) Na sua avaliação, qual a política pública que você identifica em seu município como sendo de cunho municipal?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke: Na verdade, não se revelou em Presidente Getúlio uma política pública de característica notoriamente municipal. Como também nos demais municípios da região, as intenções administrativas se vêem engessadas em razão de indisponibilidade de recursos municipais para estabelecimento de um programa efetivo de investimentos numa política pública eleita como essencialmente prioritária para o município. É tido quase como normal se ver a máquina pública comprometida acima dos níveis da admissibilidade para atender metas bem definidas, muitas vezes inclusive com folha de pagamento mensal muito elevada, que exaure potencialmente os recursos para definições de políticas públicas de caráter continuado. Um município deve garantir pelo menos 10% da sua receita própria para investimentos. Hoje, os municípios se esmeram em anunciar obras com recursos obtidos dos governos federais e estaduais, mas pouco realizam com recursos próprios. Daí a ausência de definição de política pública notoriamente municipal. Três coisas devem acontecer: 1) – Uma reforma na distribuição tributária no país, com parcela maior dos recursos para os municípios e estados. Distinga-se reforma tributária de reforma da distribuição tributária. 2) – Os gestores públicos fazerem “média” com o chapéu alheio. A União ou o Estado repassa valores, e o gestor se apressa em divulgar que fez uma determina obra. Por isso, a reforma da distribuição tributária é absolutamente necessária, inclusive para medir a capacidade administrativa do gestor. Com dinheiro alheio qualquer um faz. Mas, ainda bem que existe essa possibilidade de buscar recursos nas esferas superiores, pois a beneficiada é a população. Sobre esse tema poderíamos nos alastrar por horas. Pelo antes abordado, não encontramos uma política pública municipal local perfeitamente identificada, limitando-se em manter a máquina pública e fazendo o trivial, com pequenos investimentos, até mesmo em virtude de ausência de recursos próprios disponíveis. 3. – Uma política educacional federalizada. Defendo que toda a Educação, Saúde e Segurança Pública sejam administradas pela União. Em outras palavras, que o Governo Federal assuma, integralmente, essas incumbências administrativas no país. Difícil de acontecer, mas já existem educadores que defendem essa idéia em relação à Educação. Esperamos que essa identificação se revele. A Educação, a Saúde e a Segurança Pública devem ter administração uníssonas para todo o país. E seria a salvação dos Estados e Municípios que, livres desse ônus, poderiam estabelecer políticas públicas eficazes e de resultados.

Duílio Gehrke: Diria que todas as políticas públicas desenvolvidas no município são de cunho municipal, pois não é o fato de serem muitas destas políticas subsidiadas em parte com recursos federais ou estaduais que retira o cunho de política pública municipal, mas como exemplo de uma política pública exclusivamente municipal é a que desenvolvemos na Agricultura com o Programa “Cuidando da qualidade de vida na Agricultura” .

Nilson Francisco Stainsack: Saúde, Educação e Saneamento Básico. (Esgoto sanitário, pluvial e coleta e tratamento, distribuição de água).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CICLO1-FASE2-BLOCO1-PODER EXECUTIVO

MESA 10! ENTREVISTA – CICLO 1 - FASE 2 - BLOCO 1.

Colaboraram como voluntários, com este ciclo/fase/bloco da entrevista:

Charles Donald Zink: economista entrevistador, estruturador e articulista dos debates;
Cleiton Henschel: advogado revisor e assessoria jurídica;
Aroldo Schünke: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestões 1983-1988/1993-1996; Vice-Prefeito - Gestão 2005-2008, entrevistado;
Duílio Gehrke: Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012, entrevistado;
Giovana Pizzaria – Bar e Restaurante: logística, patrocinador e promotor da recepção aos entrevistados;
Jornal Gazeta Vale das Cachoeiras: diagramação, publicação e logística de distribuição;
Nilson Francisco Stainsack: Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012, entrevistado;
Paulo Moacir Oliani: Vice - Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2001/2004, entrevistado.

Observação: As opiniões expressas neste artigo/entrevista representam a transcrição fiel e integral dos depoimentos formais dos entrevistados, entregues por seus autores e são de sua inteira responsabilidade.


Bloco 1 – O tamanho do Estado e seus reflexos sobre a economia do município e o papel do Poder Executivo Municipal.

CONTEXTO GERAL:
Estima-se que o Estado brasileiro tenha alcançado um tamanho aproximado de 40% do PIB (Produto Interno Bruto). Esse tamanho do Estado - equivalente à carga tributária acrescida do déficit nominal do Tesouro Nacional -, evidencia que o governo consome elevada parcela da riqueza produzida no país. O assunto tem sido objeto de discussões e preocupações em diferentes setores da economia nacional, passando a fazer parte da pauta de preocupações de produtores e consumidores. Pelo lado da oferta - do setor produtivo de bens e serviços da economia brasileira -, pela perda de competitividade em um cenário globalizado. Do lado da demanda, pelo elevado custo – sob a forma de impostos - que acompanha os produtos e serviços consumidos no país, afetando diretamente o poder consumo da população. Como resultado dessa equação, segundo o Fórum Mundial de Economia, somos a nona economia do mundo e a 56ª. em competitividade além do país ocupar o final da lista de 132 países em qualidade de gestão pública.

1) O tamanho do Estado e seus reflexos sobre a economia do município;

a) Considerando que todo imposto deva apresentar contrapartida, na sua visão, de que forma seria alocado o R$1,00 a mais, arrecadado?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestões 1983-1988/1993-1996; Vice-Prefeito - Gestão 2005-2008:
O imposto tem como primordial, a titulo de contrapartida, a serviência e o atendimento das necessidades do cidadão. Consiste na estruturação de todo o complexo que compreende o Estado, no seu mais amplo sentido etimológico. É premissa que o Estado planeje suas ações, partindo do pressuposto da necessidade de satisfação das despesas de custeio e manutenção da estrutura já existente. A arrecadação excedente, no questionamento cifrado em R$ 1,00, e não importa o valor, deve ser direcionado na construção da sustentabilidade do porvir. A estruturação do Estado, irremediavelmente entregue à evolução e especialmente, à modernidade, exige investimentos continuados e cada administração, obedecidas as características e desenvolvimento local, desenha sua exigências. E para isso, num passo até aqui muito apenas de ensaio, criou-se o plano plurianual de investimentos, que funciona quando de planos de larga envergadura, mas que deixa a desejar nas administrações locais, principalmente nos pequenos municípios, em, razão da alta versatilidade e inconstância da desobediência de incrementos planejados, comumente abandonados ou alterados por impulsos localizados. O planejamento estratégico é fundamental, e qualquer real vislumbrado do excesso de arrecadação deve ser incorporado à execução desse planejamento. Não se pode esquecer que o Tributo é o maior fator de contribuição social do qual a sociedade dispõe, e exerce sua aplicação por intermédio das ação da administração pública.

Duílio Gehrke – Prefeito por Ibirama – Gestão 2009/2012: Os Impostos na verdade são os recursos extraídos da população (setor privado) como forma de contribuir para o financiamento geral da atividade pública. Desta forma o que é preciso é fazer valer cada centavo deste imposto recolhido da sociedade através de uma gestão pública eficiente e eficaz, que seja capaz de desenvolver ações que contemplem o anseio e a necessidade de sua população, essa sem dúvida é a melhor contrapartida aos impostos arrecadados.




Nilson Francisco Stainsack – Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2009/2012: Na Educação (É a base de uma sociedade).


Paulo Moacir Oliani – Vice - Prefeito por Presidente Getúlio – Gestão 2001/2004: Em se tratando da esfera municipal e considerando a leitura que é possível realizar no contexto das necessidades básicas da população, entendo que o R$ 1,00 seria alocado em ações de garantia da saúde pública. O Governo Municipal é a única esfera de poder capaz de garantir o direito à saúde, verificado não apenas no plano individual (liberdade de escolha) como no plano coletivo (qualidade de acesso). O município, já suficientemente responsabilizado e acumulado por extensa problemática, porém extremamente carente de recursos para resolvê-la, deveria receber a melhor fatia dos tributos arrecadados.

b) Do ponto de vista do dispêndio, na sua visão, qual equação que melhor representaria o “custo cidadão”?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke:
O “ custo cidadão “ se vincula diretamente ao desenvolvimento do Estado e do nível de integração deste com o cidadão propriamente dito. Um Estado desenvolvido tem no seu contribuinte um precursor da ação governamental de eficiência, adquirida com governo de projeção, e não apenas, comprometido com a evolução da estruturação desse mesmo Estado, submisso à égide do compromisso com a “nação”, e não apenas de cumprimento de mandato. Não há como definir equação que possa definir representação de “custo cidadão”, vez que as variantes da exigibilidade são incógnitas não dimensionadas, e deverão obedecer expoentes do tempo e da necessidade. Portanto, a melhor equação é a aplicação apropriada consoante o despertar do desenvolvimento sócio-econômico integrado. Num Estado Federado, não há como medir o “custo cidadão”, de forma uniforme, em virtude do suprimento pelo maior forte ao menos favorecido. Daí, equacionar num Estado de dimensões continentais, fica prejudicado, mas exige, acima de tudo, planejamento integrado para procurar igualdade de condições, embora isso seja praticamente impossível. Corre-se imenso perigo de incursão ao socialismo se essa prática não for criteriosa e concebidamente planejada estrategicamente. A melhor equação é aquela que consiga manter o orçamento do Estado equilibrado, o que é obra entregue a produção, entenda-se PIB, e a arrecadação estatal. Não podemos esquecer, entretanto, que equação é incógnita.

Duílio Gehrke: O custo cidadão está diretamente ligado a melhoria do perfil do homem público, a transparência da gestão, a eficiência do estado, o combate a sonegação, o controle social, a educação fiscal, são formas que inibem o gasto desnecessário de recursos públicos, aumentando assim a capacidade de atender as necessidades socais básicas da população.

Nilson Francisco Stainsack: Torna-se necessário considerar uma série de fatores para que possamos chegar ao “custo cidadão”. Toda a prestação de serviços oferecida pela administração municipal, como por exemplo: educação, saúde, malha viária, lazer, água tratada, esgoto sanitário, lixo, dentre outros, formam a composição final do custo que o município arca para manter com as suas obrigações. Com esse custo apurado (total prestação serviços/cidadãos atendidos), chegaremos ao Resultado Econômico do Ente, comparado ao lucro ou prejuízo do exercício.

Paulo Moacir Oliani: Por mais estranho que possa parecer, o custo cidadão está intimamente ligado ao nível de educação de um Município, Estado ou Nação. Se a população é carente nesse sentido, permanecerá estática diante do dispêndio das classes dominantes. Todos nós sabemos que o sucesso de um povo não é definido pela extensão territorial do país que ocupa, pelas riquezas naturais que possuiu ou por quão antiga seja a sua história. O que define o sucesso de um povo é o seu acesso a uma educação de qualidade. A educação do brasileiro é algo preocupante. Como convencer um cidadão de que ele não sabe algo e que precisa aprender, se ele não sabe que não sabe? Se ele não sabe que se souber, pode alcançar uma qualidade de vida melhor e poderá lutar contra as desigualdades que ele enfrenta no dia a dia e que o mantém inerte diante do dispêndio dos recursos disponíveis para aplicação das políticas públicas.

c) Considerando o município como a menor parcela do Estado e como um ente Federativo com a maior responsabilidade direta para com o bem-estar de seus cidadãos e contribuintes, de que forma uma eventual renuncia fiscal poderia pesar sobre as constas públicas municipais e ao mesmo tempo contribuir para seu crescimento e/ou desenvolvimento?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke:
Uma renúncia fiscal somente deve ocorrer se tiver correlação com o incremento da produção e o desenvolvimento, formando o circulo “ação, produção, circulação econômica e final geração de tributo”. Nos entes pequenos, entenda-se municípios, a renúncia consiste em “perdões de dívidas inscritas”, muitas vezes pode representar “racionalização e economia”, pois a manutenção de valores de valor reduzido em cadastros pode ser mais oneroso que baixá-los terminantemente, deixando-os em cadastro de “reserva”, sem valor econômico, mas inscrito apenas para fins de mutação.
D´outra parte, uma renúncia fiscal destinada a valores futuros, somente se justifica se sua renúncia implica em geração econômica com resultado paralelo de efeito contributivo, quer com geração de emprego e renda, quer de valor adicionado para cálculo de retorno de tributo (caso específico do ICMS), e como futuro gerador de tributo direto em favor do município, cessado o período da renúncia, visto que a renúncia, quando para instalação de um complexo empresarial, por exemplo, sempre o é por um tempo determinado.

Duílio Gehrke: Uma das principais formas utilizadas por estados e municípios para atrair investimentos privados é a concessão de incentivos fiscais que gera a tão conhecida Guerra Fiscal, este artifício quando utilizado de forma bem elaborada produz muitas vezes uma redução tributária inicial que é facilmente revertida num curto espaço de tempo através da geração de novos empregos, incremento na produção etc. Porém temos que atentar para as condicionantes estabelecidas na LRF sobre renuncia de receita.

Nilson Francisco Stainsack: Quando tratamos de Renúncia Fiscal temos sempre que analisar o objetivo do legislador na concessão desse incentivo. A Renúncia Fiscal canalizada como aporte financeiro, investido pelas empresas, como forma de patrocinar ações no campo cultural ou turístico, como por exemplo, com certeza trará benefícios à esfera de governo atendida. Já se essa Renúncia Fiscal for de cunho apenas político o resultado não será outro senão prejuízo à equação das ações administrativas.

Paulo Moacir Oliani: É extremamente interessante o objeto principal dessa indagação. Como agentes políticos comprometidos na busca de soluções para elencar o crescimento do Município e considerando que a geração de impostos provém um retorno de parcela mínima é possível que um Programa de renuncia fiscal possa tornar mais leve a vida do cidadão, dando-lhe condições de caminhar com suas próprias pernas, isto é, ter acesso a faculdade, benefícios de Projetos Culturais contidos na Legislação, enquadramento em programas sociais e mutirões de saúde. A renúncia fiscal é um instrumento que o governo pode propor para buscar ou intensificar parcerias com o setor privado em todas as áreas como forma de contribuir para crescimento do Município.

2) O papel do Poder Executivo Municipal;

a) Como você define os papeis destinados ao prefeito municipal, ao vice-prefeito e aos secretários municipais.

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke:
No nosso regime de poder executivo, este se concentra, no âmbito municipal, no Prefeito Municipal. É mandante, é executor, é ordenador. Pode descentralizar, delegar, mas historicamente, concentra o poder. O Vice-prefeito é mero expectante de poder, com enorme limitação de poder e ação. Mesmo assumido esporadicamente, por respeito e conveniência, não altera absolutamente nada na estrutura e não procede alterações, salvo pequenos serviços ou obras, sem envergadura, até mesmo em virtude da premência de tempo que permanece no cargo, assumindo apenas em caso de férias ou pequenas ausências do titular. O vice-prefeito somente passa a exercer, como também os Secretários em municípios pequenos, delegações veladas. Em municípios maiores, sua ação é pouco mais representativa. Ainda, nos municípios pequenos o controle é exercido de maneira muito próxima, e em inúmeras situações, os ocupantes de cargos de Secretário são nomeações de derivação política, sem conhecimentos técnicos ou experiência adequada para o exercício decididamente profícuo da função.

Duílio Gehrke: Papel do Prefeito Municipal – é o principal depositário da confiança popular para a solução dos problemas do município. Como chefe do executivo tem funções políticas, executivas e administrativas. Na função Política necessita assegurar o apoio da maioria da Câmara Municipal, pois quanto mais ousadas e inovadoras forem suas iniciativas na ampliação das atividades da Prefeitura com o estabelecimento de novos programas ou da criação de novos serviços, mais necessitará da Câmara para aprovação de seus projetos e para obtenção de autorização de recursos necessários a sua execução. Na função Executiva e Administrativa constituem a principal responsabilidade cabendo-lhe as funções de planejar, comandar, coordenar, controlar e manter contatos externos.
Papel do Vice-Prefeito – além das atribuições que lhe são conferidas pela Lei Orgânica, o Vice-Prefeito pode auxiliar o chefe do executivo na supervisão e na coordenação das mais diferentes atividades da Prefeitura, aqui em Ibirama tenho o auxilio da Vice-Prefeita nas atividades desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação e de Assistência Social.
Papel dos Secretários – Caberá ao Secretário Municipal escolhido e nomeado pelo Chefe do Poder Executivo o papel de orientar, coordenar e executar as atividades dos órgãos e das entidades da administração municipal, na área de sua competência; referendar os atos e os decretos do Prefeito e expedir instruções para a execução das leis, dos decretos e dos regulamentos relativos aos assuntos de sua secretaria; e apresentar ao Prefeito relatório dos serviços realizados por sua secretaria.

Nilson Francisco Stainsack: Não há como ignorar a importância dos Agentes Políticos aqui elencados, uma vez que, a tomada de decisão para elaborar e executar as ações de governo passarão obrigatoriamente por essas pessoas e o efeito desse conjunto de decisões será igual ao resultado final da quantidade e qualidade da prestação de serviços oferecidos ao cidadão.

Paulo Moacir Oliani: O papel de cada personagem contido nesse contexto vai muito além do que define as Leis Orgânicas de cada Município. Como Chefe do Executivo, é papel do prefeito planejar, comandar, coordenar e controlar toda a administração pública municipal. Neste trabalho, ele é secundado pelo chefe de Gabinete e pelos secretários. Além das funções administrativas, e precisamente por ter sido eleito pelo povo, cabe ao prefeito atuar politicamente em prol dos interesses da população diante de outras instâncias do Executivo e do Legislativo, bem como diante da sociedade civil organizada. Neste sentido, ele representa o Município em todas as circunstâncias, e pode realizar atos políticos como apresentar projetos de lei e sancionar e promulgar ou vetar leis. Ele deve ser um profundo conhecedor dos problemas de sua cidade e deve trabalhar incansavelmente na busca de soluções para os mesmos.
Tendo em vista o fervor da campanha política aplicada na eleição, o vice-prefeito deixa de representar apenas um cargo de expectativa, ou seja, substituir o titular em uma eventual licença por qualquer motivo. A população deposita nele confiança que pretende buscar no futuro e, portanto, o vice-prefeito deverá ser encontrado na esfera pública.
O secretário, por sua vez, administra uma área de atuação, criando programas específicos, aplicando a Legislação, enfim, ele é o gestor dos recursos de uma determinada área de atuação e é altamente responsável pela aplicação de políticas públicas que beneficiam de forma direta a população.

b) Na sua visão, a gestão profissionalizada na administração pública municipal poderia contribuir com o planejamento estratégico e o sistema de metas de desempenho?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke:
No questionamento anterior abordamos, contextualmente, o aspecto da gestão profissionalizada, ausente muitas vezes na composição da Administração Pública. Infelizmente, em poucas administrações públicas municipais se verifica a gestão profissionalizada. A ausência de um planejamento estratégico e de metas, corroborado com a ausência de diretrizes para o estabelecimento de uma administração por objetivos, prejudicam os resultados almejados pela população. Sempre pregamos que há uma necessidade de “visão de futuro” para qualquer administrador público, fundada na análise, planejamento e projeção, visando o desenvolvimento integrado, com a estruturação sólida do futuro. Isso não será possível sem que o administrador público tenha formação e conhecimento adequado, e especialmente, afastado de qualquer individualismo ou pragmatismo apenas pessoal.

Duílio Gehrke: Promover a valorização e a profissionalização da gestão e do servidor público constituí provavelmente um dos investimentos mais rentáveis para o Município, Estado ou País, pois uma administração competente, criativa e empreendedora pode desenvolver soluções para redução de custos e para aumento de receita e produtividade, sem perdas significativas de eficácia e de efetividade no atendimento as políticas públicas.

Nilson Francisco Stainsack: Nesse sentido há que se pensar em profissionalizar e conscientizar o cidadão já inserido no meio, ou seja, dar oportunidade de qualificar o funcionário no exercício de sua função.

Paulo Moacir Oliani: O modelo de gestão profissionalizada, apesar de reunir muitas qualidades, é de complexa implementação prática, em sua totalidade, no setor público. Diferentemente do setor privado, o gestor público se atém a um cabedal de limitações legais. Dentre as dificuldades para a implantação de um modelo de gestão profissionalizada estão limitações tecnológicas e estruturais. Outro fator preponderante na aplicação de uma gestão profissionalizada é fundamentada no apadrinhamento político. Como abrir mão de servidores que no futuro se tornarão peças fundamentais para uma eventual reeleição? Porém, ao analisar os aspectos funcionais de uma gestão profissionalizada na administração pública trazemos a leitura de uma grande contribuição para o planejamento estratégico e o sistema de metas de desempenho, o que proporcionaria resultados satisfatórios na condução da causa pública.

c) Na sua percepção, os gestores públicos têm contribuído para o cumprimento de sua missão, qual seja, a da efetiva e regular gestão dos recursos públicos em benefício da sociedade?

RESPOSTAS:

Aroldo Schünke: É obrigação do administrador público cumprir sua missão de administrar com eficiência e probidade. Quanto a efetiva contribuição para que isso aconteça depende da capacidade que cada gestor possui para desencadear ações incrementadoras do desenvolvimento das suas comunidades. A gestão dos recursos públicos tem se revelada, no meu entender, insatisfatória, mormente em virtude das conotações político-partidárias que engessam sobremaneira a administração, principalmente quando o gestor não consegue se livrar convenientemente dos compromissos políticos que provém, sobremaneira, do período pré-eleitoral, quando muitos dos gestores, a qualquer preço (e isso por conta do erário público), assumem compromissos com afilhados políticos que exigem cargos.

Duílio Gehrke: A gestão pública eficiente e regular sempre foi relacionada ao seu gestor, e no Brasil sempre existiram bons e maus gestores públicos, porém com o advento da LRF houve uma profunda mudança na forma de gerir os recursos públicos, direcionando o gestor a uma administração regular, ficando a eficiência a cargo ainda de seus gestores, e o que podemos observar é que nos últimos anos o envolvimento de instituições e a sociedade nas discussões da administração pública tem sido de suma importância para que os gestores além da regularidade tivessem eficiência em suas gestões, realizando obras e ações de interesse e em benefício da sociedade.

Nilson Francisco Stainsack: Essa questão está diretamente relacionada com a capacidade administrativa do Gestor, nesse sentido estaremos sempre órfãos dos eleitores, eles terão a oportunidade, através do voto, de entregar o destino da esfera de governo a pessoas com inteligência e honestidade suficientes para gerir de forma eficiente e eficaz os recursos públicos.

Paulo Moacir Oliani: Depende a que âmbito a pergunta se refere. Se for para tecer um comentário acerca dos gestores do nosso Município encontramos um quadro. Se for para tratarmos o assunto de forma global descobriremos um cenário diferente.
A falta de competência na gestão pública e na avaliação dos projetos apresentados por colaboradores como o Poder Legislativo, que em certas circunstâncias só podem apresentar Projetos sugestivos ou anteprojetos, são algumas das causas dessa desorganização. No país existem profissionais em administração pública subaproveitados e os políticos e seus partidos são maus administradores de suas carreiras. O caos administrativo em que vive o país reflete em todas as áreas da sociedade. São estradas mal conservadas, hospitais sem a mínima condição de atender a população, filas intermináveis nos postos de atendimento do INSS, excesso de ministérios e de secretarias – muitas vezes sobrepondo áreas de atuação e objetivos comuns -, programas implantados sem instrumentos de monitoramento, de gestão e avaliação, excesso de burocracias que dificultam a liberação de verbas para o desenvolvimento de projetos e programas, além da corrupção que assola esse país, são exemplos do caos administrativo que reflete o nosso dia a dia se analisarmos de sul a norte e de uma maneira globalizada.
Porém, no âmbito de nosso Município encontramos gestores públicos cumpridores de sua missão e comprometidos com a qualidade de vida de sua gente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

ENCERRAMENTO PRIMEIRA FASE MESA 10! ENTREVISTA

No agradável ambiente de Giovana Pizzaria – Bar e Cozinha, em Ibirama – SC, em companhia de pessoas muito especiais, realizou-se, terça-feira (11/05), confraternização entre membros participantes do Projeto MESA 10! ENTREVISTA.
Compareceram ao evento os vereadores participantes do Ciclo1Fase1 das entrevistas do referido Projeto - realizadas com o Poder Legislativo Municipal do Vale Norte do Itajaí - e os demais colaboradores, além de autoridades do executivo municipal de Ibirama e Presidente Getúlio e SDR – Ibirama – SC, entre outros convidados e acompanhantes.
Na solenidade de encerramento, o idealizador do Projeto MESA 10! ENTREVISTA, economista Charles Donald Zink, entrevistador, estruturador e articulista dos debates agradeceu a adesão e participação dos entrevistados: David Vinci, Luiz Carlos Wilhelm, Maria da Graça de Souza Feijó, Osmir Frare, Paulo Moacir Oliani; e a importante cooperação recebida dos demais membros colaboradores do Projeto: Cleiton Henschel, como advogado revisor e assessoria jurídica; Jornal Gazeta, nas pessoas de Savio Batistti e Sueli Garz, pela diagramação, publicação e logística de distribuição; Giovana Pizzaria – Bar e Cozinha, nas pessoas de Célio Teobaldo Arantes e Giovani Schmidt, pela logística, patrocínio e promoção da recepção aos entrevistados.
Charles ressaltou, uma vez mais, que o Projeto é uma “Ação cidadã voluntária e colaborativa, apartidária, promotora da discussão social pluralista, com supedâneo na dialética, a partir do posicionamento de lideranças da região do Vale Norte do Itajaí, sobre temas previamente propostos do interesse da Gestão de Políticas Públicas”.
Dentre os presentes, fizeram uso da palavra - destacando a importância de iniciativas que discutam com, e apresentem para a sociedade, questões relacionadas com o interesse das Políticas Públicas -: o vereador por Presidente Getúlio: Luiz Carlos Wilhelm; os vereadores por Ibirama: David Vinci e Maria da Graça de Souza Feijó; o prefeito municipal de Ibirama Duílio Gehrke e o prefeito municipal de Presidente Getúlio Nilson Francisco Stainsack, naquele ato representado pelo vice-prefeito Ingo Braatz; os colaboradores do Jornal Gazeta: Savio Batistti e Sueli Garz.
O acontecimento contou com a presença do Sr. Dante Bonin, assessor de comunicação e conselheiro da SDR – Ibirama – SC, como convidado de honra e palestrante da noite, com o tema “Políticas Públicas.
Além da confraternização de encerramento desta fase, o idealizador do Projeto, economista Charles Donald Zink, oficializou o lançamento do Blog MESA 10! ENTREVISTA, com endereço de acesso eletrônico: http://mesa10entrevista.blogspot.com/, e o pré-lançamento da segunda fase do Projeto, agora voltado para entrevistas com lideranças com passagem pelo Poder Executivo Municipal da região Vale Norte do Itajaí, apresentando sucintamente os cinco eixos temáticos que serão abordados com aquele público alvo: 1) O tamanho do Estado e seus reflexos sobre a economia do município; 2) O papel do Poder Executivo Municipal; 3) O PPA, LDO, LOA e sua conexão com as Políticas Públicas; 4) Sustentabilidade econômica e integração econômica; 5) Ética e legado.
Após o encerramento das formalidades foi servido um delicioso jantar aos convidados.








Jornal Gazeta - Ed. 35, pg. 05 - Pres.Getúlio - SC, 2010.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

CICLO1-FASE1-BLOCO4 - VEREADORES

Colaboraram como voluntários, com este ciclo/fase/bloco da entrevista:
Charles Donald Zink: economista entrevistador, estruturador e articulista dos debates;
Cleiton Henschel: advogado revisor e assessoria jurídica;
Davi Vinci: vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Ibirama-SC, entrevistado;
Jornal Gazeta: diagramação, publicação e logística de distribuição;
Giovana Pizzaria – Bar e Cozinha: logística, patrocinador e promotor da recepção aos entrevistados;
Luiz Carlos Wilhelm: vereador e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Presidente Getúlio-SC, entrevistado;
Maria da Graça de Souza Feijó: vereadora pelo município de Ibirama-SC, entrevistada;
Osmir Frare: vereador pelo município de Presidente Getúlio-SC, entrevistado;
Paulo Moacir Oliani: vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Presidente Getúlio-SC, entrevistado.
Observação: As opiniões expressas neste artigo/entrevista representam a transcrição fiel e integral dos depoimentos formais entregues por seus autores e são de sua inteira responsabilidade.

Bloco 4 - A prática parlamentar sob condução da figura institucional do vereador.

CONTEXTO GERAL – Como se pode observar das perguntas elencadas nos blocos publicados anteriormente, no bloco 1, a figura institucional do vereador não pode estar dissociada de uma idéia do papel que se entende para o Estado e do conjunto de Leis e normas que regem essa idéia de Estado. Por isso mesmo, vincula-se ao conjunto do Poder Legislativo, em todas as suas instâncias, para articular, fiscalizar, propor, discutir, aprovar, rejeitar, modificar ou atualizar as Leis e Normas que operacionalizam essa idéia de Estado, tornando-o real para a sociedade. É por intermédio dessas articulações - entre as necessidades advindas da vontade popular e a expressão da idéia de Estado e sua materialização -, que se torna possível traçar um perfil do que seja a produtividade legislativa para um representante do povo, notadamente àquela atribuída e exercida pela figura institucional do vereador municipal.
Paralelamente, no bloco 2, abordou-se o contexto da avaliação dos desafios comportamentais do posicionamento filosófico e ético a que está sujeito a figura institucional do vereador e os conflitos de interesse que o assolam, na condução do dia-a-dia da vida pública municipal. Esses conflitos são gerados, entre outros, através de contextos de experiências enganosas na administração pública; pela forma como os julgamentos errados possam afetar a vida do poder legislativo; pelos interesses pessoais inadequados conflitantes com a responsabilidade outorgada pelo voto ao vereador na condução da vida pública ou, ainda, através do sentimento de lealdade a grupos, lugares ou posses que possa ser considerado um apego inadequado, quando tal sentimento contribuir para a obstrução de decisões racionais acerca de medidas que interessam à coletividade.
No bloco 3, procurou-se demonstrar como o Terceiro Setor pode complementar o entendimento sobre a consecução da coisa pública e, de forma imanente, auxiliar essa esfera do Governo na condução desses interesses. Nesse bloco, discorreu-se sobre a dinâmica e o lócus das políticas públicas, ponderando sobre um breve entendimento do que sejam os três setores que operam a sociedade contemporânea, quais sejam: “O Primeiro Setor, que corresponde à emanação da vontade popular, pelo voto, que confere o poder ao governo; O Segundo Setor, que corresponde à livre iniciativa, que opera o mercado, define a agenda econômica usando o lucro como instrumento; O Terceiro Setor, que corresponde às instituições com preocupações e práticas sociais, sem fins lucrativos, que geram bens e serviços de caráter público, tais como: ONGs, instituições religiosas, clubes de serviços, entidades beneficentes, centros sociais, organizações de voluntariado etc”(REBRAF). Embora todos sejam importantes no contexto social, o Terceiro Setor representado pela sociedade civil organizada, de fato, é o que melhor catalisa a expressão dos valores sociais de uma comunidade, em razão da sua organização girar em torno de questões consideradas relevantes e que lhe dão o significado para sua existência. Essas particularidades e contornos nem sempre podem ou são tratados diretamente pelos demais setores. Por essa razão, o Terceiro Setor passa a ter um viés de ator coadjuvante na consecução dos objetivos pretendidos pelas políticas públicas, como agente de concepção, transmissão e implantação dessas políticas, pari passo com os poderes atribuídos as três instâncias e esferas do Governo que, nesse caso, integra o Primeiro Setor. Por sua característica de produzir eminentemente bens e serviços de caráter público e ser constituído por entidades sem fins lucrativos, o Terceiro Setor pode contribuir como uma interface na gestão das políticas públicas, dadas as amplas possibilidades de atuação desse segmento da sociedade, o arcabouço legal já disponível na legislação brasileira e condições de concorrência econômica em arranjos mais vantajosos que as estruturas tradicionais, contribuindo, ainda, para uma formação sadia e sustentável da riqueza (Produto Interno Bruto – PIB) de um município, Estado ou Nação. Complementando essa temática, abordou-se a questão relacionada à avaliação dos canais de informação, transmissão e sustentabilidade da gestão de políticas públicas, notadamente aqueles considerados tradicionais, buscando identificá-los.
O quarto e último bloco da fase 1, desse primeiro ciclo de entrevistas, visa discutir a prática parlamentar, sob a ótica da ética e do planejamento. Ressalte-se que não se trata aqui, de avaliar o certo ou o errado para as temáticas propostas no conjunto das entrevistas, mas sim, possibilitar diferentes visões sobre as questões emergentes vinculadas ao Poder Legislativo, permitindo aos leitores ampliar horizontes e identificar diferentes tendências e posicionamentos sobre uma mesma questão.

CONTEXTO: Há um ditado que propõe: “Não faça aos outros o que não queres para ti mesmo!” Esse adágio encerra uma questão muito básica da ética: enfoca a ética por uma perspectiva prática e um valor passível de ser universalmente aceito. Essa perspectiva prática - defendida por Peter Singer em seu livro “Ética Pratica” (1993) -, busca atribuir um sentido conseqüencialista (utilitário) e universal para a ética, justificando que “ a questão fundamental dos juízos éticos é orientar a prática”. Segundo esse pensador, “ao admitir que os juízos éticos devem ser formados a partir de um ponto de vista universal, estou aceitando que os meus próprios interesses, simplesmente por serem meus interesses, não podem contar mais que os interesses de uma outra pessoa.[...] Isso exige que eu reflita sobre todos os interesses e adote o curso de ação mais apto a maximizar os interesses das pessoas afetadas[...] pois a noção de ética traz consigo a idéia de alguma coisa maior que o individual.” Ao discutir a ética, Singer apresenta, ainda, quatro pontos que considera importantes, para definir o que a ética não é, e que são aqui sinteticamente apresentados: “[...] a primeira coisa que a ética não é pode ser definida como uma série de proibições ligadas ao sexo.[...] a segunda coisa que a ética não é: um sistema de grande nobreza na teoria, mas improvável na prática.[...] a terceira coisa que a ética não é: algo inteligível somente no contexto da religião.[...] a quarta e última afirmação, negada por Singer, é aquela segundo a qual a ética é relativa ou subjetiva.” A discussão da ética em qualquer atividade humana é, por essas razões - mais do que explicar o comportamento dos seus empreendedores - necessária para o entendimento e justificativa do foco do curso das ações empreendidas. Este também é o caso que se aplica à ética parlamentar.

Pergunta 9) Para você, no que consiste a ética parlamentar?
Respostas:




Vereador por Ibirama - Davi Vinci - Em ser responsável e procurar ser o mais transparente possível e assumir as suas responsabilidades. O político deve agir também de acordo com a ética da responsabilidade, porque essa é a única ética compatível com o espírito republicano.



Vereador por Presidente Getúlio - Luiz Carlos Wilhelm - A ética é o requisito básico para um parlamentar, o político que quer ser respeitado deve ter suas ações pautadas na moralidade, honestidade e lealdade. Para que possa cumprir fielmente estes princípios, pode até ter que tomar decisões que contrariam seus interesses, mas que estejam dentro da legalidade e que atendam os verdadeiros anseios do povo que o elegeu.


Vereadora por Ibirama - Maria da Graça de Souza Feijó - Ética parlamentar entendo por todo o procedimento em que implique:
1. Visão criteriosa e atenta a todo o momento
2. Imparcialidade
3. Coragem para romper paradigmas que consideramos nefastos e propagadores de maus hábitos
4. Sensibilidade para saber ouvir todos nossos pares
5. Humildade para reconhecer que conhecemos muito pouco da complexa trama parlamentar
6. Responsabilidade de posturas perante a nossa comunidade
7. Abertura para tentarmos obter conhecimento através do estudo
8. Aprender e apreender com o nosso cidadão e a diversidade que propõe
9. Encantar-se com o poder, por ser ele a possibilidade de promover uma sociedade com mais qualidade de vida sob todos os seus aspectos.





Vereador por Presidente Getúlio - Osmir Frare - É a pratica de ações construtivas que visam a transparência de cada um .

Vereador por Presidente Getúlio - Paulo Moacir Oliani - Quando me é solicitado falar sobre ética o primeiro enigma que vem a baila é a estreita relação que este tema exerce sobre a moral. A ética seria então uma espécie de teoria sobre a prática moral, uma reflexão teórica que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral. O dicionário Abbagnado, entre outras considerações nos diz que a ética é "em geral, a ciência da conduta" (ABBAGNANO, sd, p.360) e Sanchez VASQUEZ (1995, p.12) amplia a definição afirmando que "a ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma específica de comportamento humano." E reforça esta definição com a seguinte explicação: Assim como os problemas teóricos morais não se identificam com os problemas práticos, embora estejam estritamente relacionados, também não se podem confundir a ética e a moral. A ética não cria a moral. Conquanto seja certo que toda moral supõe determinados princípios, normas ou regras de comportamento, não é a ética que os estabelece numa determinada comunidade. A ética depara com uma experiência histórico-social no terreno da moral, ou seja, com uma série de práticas morais já em vigor e, partindo delas, procura determinar a essência da moral, sua origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as fontes da avaliação moral, a natureza e a função dos juízos morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais. (ibid., p.12). Ética Parlamentar não foge a regra. É o mesmo conceito transportado para o campo de atuação do Poder Legislativo. O Parlamentar deve centrar o cunho de suas decisões no mais alto padrão ético construído pela sociedade moderna, devendo acima de tudo, defender posicionamentos antipopulares em nome da ética e da moralidade, necessariamente quando esses posicionamentos implicam em alcançar o bem estar da coletividade. Gostaria de constar, nessa pequena consideração, a idéia do Professor da USP Antônio Ozaí da Silva que define “até que ponto a política é compatível com a ética? A política pode ser eficiente se incorporar a ética? Não seria puro moralismo exigir que a política considere os valores éticos?Quando se trata da relação entre ética e política não há respostas fáceis. Há mesmo quem considere que esta é uma falsa questão, em outras palavras, que ética e política são como a água e o vinho: não se misturam. Quem pensa assim, adota uma postura que nega qualquer vínculo da política com a moral: os fins justificam os meios.O ‘realismo político’, ou seja, a busca de resultados a qualquer preço, subtrai os atos políticos à qualquer avaliação moral, entendendo esta como restrita à vida privada, dissociando o indivíduo do coletivo.Esta concepção sobre a relação ética e política desconsidera que a moral também é um fator social e como tal não pode se restringir ao santuário da consciência dos indivíduos.” Em outras palavras, embora a moral se manifeste pelo comportamento do indivíduo, e nesse caso o Parlamentar ou Agente Político. ela expressa uma exigência da sociedade (um exemplo disso é a adoção dos diversos "códigos de ética"). Ou seja, não leva em conta que a política nega ou afirma certa moral e que, em última instância, a política também é avaliada pelo comportamento e entendimento moral das pessoas. Aliás, se a política almeja legitimidade não pode, entre outros fatores, dispensar o consenso dos cidadãos — o que pressupõe o apelo à moral.

CONTEXTO : A partir do pós-guerra de 1945, pensadores como Ansoff e Mintzberg, entre outros, entronizaram na literatura específica, os primeiros pensamentos formais sobre a questão do planejamento, denominado estratégico. Formaram-se, a partir daí, abordagens e metodologias que pretenderam explicar e aprimorar o planejamento estratégico como ferramenta da gestão bem sucedida. O planejamento estratégico passou a ser entendido como fundamental e indispensável para as organizações. Atualmente, esse ideário integra a formação universitária, particularmente nas disciplinas voltadas às ciências sociais aplicadas. Assim, considerando-se a perspectiva do desenvolvimento do pensamento planejado na área das ciências sociais aplicadas, como é o caso da ciência política, é de se esperar que, no seu conjunto, o Poder Legislativo, em todas as suas instancias, seja um ente de sucesso como resultado da proficiência dos indivíduos que o integram, preparados para atender as ilimitadas necessidades do ser humano e, por conseqüência, do município, do Estado e do País que representam. Afinal, o que vem a ser planejamento e estratégia! Ansoff e McDonnell, apresentam o planejamento estratégico como um processo formal, marcado por uma estruturação prescritiva. No livro Implantando A Administração Estratégica (1993), esses autores conceituam estratégia como “[...] um conjunto de regras de tomada de decisão para orientação do comportamento de uma organização”. Mintzberg, ao abordar o assunto em seu livro Ascensão e Queda do Planejamento Estratégico (2004), colacionou diversas interpretações e sentidos para o termo planejamento: “[...] 1) planejamento é pensar no futuro [...] 2) planejamento é controlar o futuro [...] 3) planejamento é tomada de decisão [...] 4) planejamento é tomada de decisão integrada [...] 5) planejamento é um procedimento formal para produzir um resultado articulado, na forma de um sistema integrado de decisões[...].” Na referida obra, o autor comparou diferentes significados emprestados ao termo estratégia “[...] a) estratégia é um plano [...] b) estratégia também é um padrão [...] c) estratégia é posição [...] d) estratégia é perspectiva [...] e) estratégia como truque [...]”. De toda forma, qualquer que venha a ser a interpretação e aplicação para o termo planejamento estratégico, é inegável que seu principal foco é o resultado, como saldo de uma gestão implementada a partir do planejamento conseqüente. Se esse conceito é útil para a gestão do interesse privado, mais útil ainda será na gestão da coisa pública.

Pergunta 10) Você se utiliza do planejamento estratégico na gestão da coisa pública?
Respostas:

Davi Vinci - Sim, o planejamento define onde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como e em que seqüência. É preciso acompanhar o resultado do trabalho junto a população, fazendo visitas periódicas.
Luiz Carlos Wilhelm - Qualquer ação sem um planejamento na gestão da coisa pública certamente estará fadada ao insucesso. No entanto o parlamentar nem sempre tem a oportunidade de por em prática o planejamento, já que suas ações, a de fiscalizar e analisar as propostas vindas do executivo não requerem tal procedimento. No entanto nas audiências públicas para tratar dos planos e leis orçamentárias, aí sim podemos e devemos planejar de forma estratégica para otimizar esforços e recursos, de maneira torná-los mais produtivos.
Maria da Graça de Souza Feijó - Planejamento estratégico é uma ferramenta muito interessante para determinar metas e tempos a serem cumpridas as ações de executivo e suas pastas. Certamente de extrema utilidade para ver resolvido prioridades e limitar o tempo de sua execução. Em nível de legislativo planejamento estratégico ficaria mais restrito aos colaboradores e vereadores, mas pensando em metas seria um bom motivo para sentarmos e discutirmos o que se quer, enquanto vereador, além de indicações. Também acho que dentro deste padrão poderia ser desenvolvido ações para preparar melhor nossos vereadores, entre eles me incluo, fazermos campanhas de reciclagem de lixo, dar palestras nas escolas, (isto depois de aprendermos o que é ser vereador) sobre o poder legislativo, integrar a comunidade com a Câmara das mais diversas maneiras.
Osmir Frare - Sim, em todos os momentos da minha vida eu utilizo planejamento, quando faço alguma coisa planejada normalmente acerto.
Paulo Moacir Oliani - Para exercer uma Função de elevada importância como se caracteriza a função do Vereador seria necessário, em um primeiro momento, deixar de lado todas as outras funções da vida privada. O vereador eleito pelo voto democrático deveria dedicar totalmente o seu tempo e seu trabalho para a função pública, devido a importância e a complexidade do compromisso. Mas, nos transportando para o contexto real, percebemos que não é isso que acontece. A busca desenfreada e louca por bens materiais e poder nos leva a abraçar todo o tipo de trabalho, ficando assim, o trabalho legislativo como uma espécie de “bico”. Pode parecer duríssima tal expressão, no entanto, sabemos que revela a mais dura realidade. Neste contexto, seria hipocrisia, qualquer vereador, mas aqui respondo somente por mim, dizer que se utiliza de Planejamento Estratégico na Gestão da coisa Pública. Embora conhecedor da importância que exerce o Planejamento Estratégico, seja ele no campo pessoal ou profissional, no produto final de nosso trabalho, humildemente respondo que sou mais um brasileiro, no meio da multidão, resolvendo as questões que vão se apresentando no dia a dia, por ordem de acontecimento ou de importância, como um barco a deriva... “A filosofia do “deixa a vida me levar” só funciona em filmes de Hollywood. No mundo real, as coisas são diferentes. A vida leva sim, mas para lugares onde você não desejaria estar...”(FRAN CHRISTY).